Amados irmãos e irmãs quero seguir a seqüência de
meditação que me propus a fazer nessa semana santa onde sempre parto do
ensinamento de um santo ou dos próprios Papas para explicar o que celebramos e
assim poder nos embriagar da mais pura fonte e saborear o que tem de
melhor para que seja um tônico em nossa fé, muitas vezes confusa e débil. Nossa
fé meio perdida e, às vezes, tão sedenta. Estamos como uma corsa suspirando por
águas límpidas, nesse tempo de tanta sujeira teológica e ideológica a confundir
nossas cabeças.
Permita-me nesta noite venturosa, mãe de todas as vigílias, citar e pedir um auxílio: não poderia deixar de recorrer a Pedro, que é o nosso guardião e vigia, Pedro que neste tempo tem nos brindado com maravilhosos sucessores, o Beato João Paulo II, o Papa Emérito Bento XVI, e o atual vigoroso e primoroso Papa Francisco.
Vamos iniciar cronologicamente com o Beato João Paulo II, utilizando duas citações de suas homilias quando do seu pontificado, feitas nessa noite Santa. E ousarei desenvolver um pouco do seu pensamento, encaixando peça por peça para formamos uma esplêndida manjedoura em nosso coração a partir da liturgia da palavra e onde, na liturgia eucarística, Jesus possa repousar seguro em nosso coração, como da Cruz nasceu e nos braços da Virgem Mãe repousou. Dizia, então, o Beato:
Permita-me nesta noite venturosa, mãe de todas as vigílias, citar e pedir um auxílio: não poderia deixar de recorrer a Pedro, que é o nosso guardião e vigia, Pedro que neste tempo tem nos brindado com maravilhosos sucessores, o Beato João Paulo II, o Papa Emérito Bento XVI, e o atual vigoroso e primoroso Papa Francisco.
Vamos iniciar cronologicamente com o Beato João Paulo II, utilizando duas citações de suas homilias quando do seu pontificado, feitas nessa noite Santa. E ousarei desenvolver um pouco do seu pensamento, encaixando peça por peça para formamos uma esplêndida manjedoura em nosso coração a partir da liturgia da palavra e onde, na liturgia eucarística, Jesus possa repousar seguro em nosso coração, como da Cruz nasceu e nos braços da Virgem Mãe repousou. Dizia, então, o Beato:
1.Quanto ao versículo «Não vos assusteis. Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou, não está aqui» (Mc 16,6).
“Na manhã do primeiro dia depois do sábado, como narra o Evangelho, algumas mulheres vão ao sepulcro para venerar o corpo de Jesus, que, tendo sido crucificado na Sexta-feira, foi envolvido às pressas num lençol e lá depositado. Procuram-no, mas não o encontram: não está mais no lugar onde foi sepultado. D'Ele restam somente os sinais do enterro: o túmulo vazio, as ligaduras, o lençol. As mulheres, no entanto, ficam assustadas à vista de um «jovem trajado com uma veste branca», que lhes anuncia: «Ressuscitou, não está aqui».
Desde então, esta notícia desconcertante, destinada a mudar a sorte da história, continua a repercutir de geração em geração: um anúncio antigo e sempre novo. Mais uma vez ressoou durante esta Vigília pascal, mãe de todas as vigílias, e vai-se difundindo nestas horas por toda a Terra.
Ó sublime mistério desta Noite Santa! Noite na qual revivemos o extraordinário evento da Ressurreição! Se Cristo tivesse permanecido prisioneiro do sepulcro, a humanidade e toda a criação, de certo modo, teriam perdido o próprio sentido. Mas Vós, Cristo, realmente ressuscitastes!" (Beato João Paulo II - vigília de 19 de abril de 2003).
O sentido de nossas vidas e de nossa fé nasce nesta noite, pois a Igreja que somos nos faz os grandes anunciadores dessa verdade da ressurreição do Senhor. A morte é o desespero e o desamparo de cada ser humano e Cristo vence a morte! Ela não tem mais poder, por isso nosso beato exalta essa noite: é noite da grande alegria, é a noite da grande exultação!
2. Sobre o versículo "Essa noite [...] será de vigia para todos os filhos de Israel, de geração em geração, em honra do Senhor" (Ex 12,42):
«Celebramos nesta noite santa a Vigília Pascal, a primeira, melhor, "a mãe" de todas as vigílias do ano litúrgico. Nela, como canta repetidamente o Precónio, volta-se a percorrer o caminho da humanidade, desde a criação até o acontecimento culminante da salvação, que é a morte e a ressurreição de Cristo.
A luz d'Aquele que “ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1 Cor 15,20) torna "clara como o dia" (cf. Sal 139 [138], 12) esta noite memorável, considerada justamente o "coração" do ano litúrgico. Nesta noite, a Igreja inteira vigia e torna a percorrer, meditando, as etapas significativas da intervenção salvífica de Deus no universo." ( Beato João Paulo II - 10 de abril de 2004).
Antes da ressurreição de Cristo, estávamos envoltos em trevas, o pecado tinha nos tirado a luz, o céu. Por isso, em todo o ano litúrgico, seja qual for o tempo, celebramos o mistério pascal de Cristo. Não só no tempo litúrgico da Páscoa, que é um sacramento por si só, mas em todos os sacramentos vivenciados nós vemos o Ressuscitado, agindo e operando, salvando e iluminando a Igreja e os seus membros. Por isso, nesta noite vivemos a maravilha de perceber que ao longo da história o Senhor sempre quis nos iluminar e nos salvar. E as Escrituras nos lembram muito bem disso.»
Depois de vermos os aspectos citados por mim na visão do beato João Paulo II, vamos mergulhar no grande Papa e teólogo Bento XVI, de quem o povo em Roma dizia que se ia ali para ver João Paulo e, depois, passou-se a ir para ouvir Bento XVI:
"O Precónio, o grande hino que o diácono canta ao início da Liturgia Pascal, de modo muito discreto chama a nossa atenção ainda para outro aspecto. Lembra-nos que o material do círio se fica a dever, em primeiro lugar, ao trabalho das abelhas; e, assim, entra em cena a criação inteira. No círio, a criação torna-se portadora de luz. Mas, segundo o pensamento dos Padres, temos aí também uma alusão implícita à Igreja. Nesta, a cooperação da comunidade viva dos fiéis é parecida com o trabalho das abelhas; constrói a comunidade da luz. Assim podemos ver, no círio, também um apelo dirigido a nós mesmos e à nossa comunhão com a comunidade da Igreja, que existe para que a luz de Cristo possa iluminar o mundo.
Neste momento, peçamos ao Senhor que nos faça sentir a alegria da sua luz, de modo que nós mesmos nos tornemos portadores da sua luz, para que, através da Igreja, o esplendor do rosto de Cristo entre no mundo (cf. LG 1)." ( Papa emérito Bento XVI - 07 de Abril de 2012)
O Papa Bento nos lembra a confecção do círio pascal, que é feito de cera virgem, das abelhas, e que tais abelhas trabalham unidas e dessa união é gerada a luz que ilumina. Sendo assim, o Papa nos convida a, também como as abelhas, trabalharmos como comunidade cristã, a nesses dias sairmos das trevas do isolamento e nos unirmos para celebrar aquele que é o sentido de estarmos aqui. Nos unirmos sim, iluminados para iluminar aqueles que ainda jazem nas trevas do pecado, levar alegria aos tristes como comunidade que se alegra na luz, pois nas trevas não há a luz, há sim, insegurança, há medo, frio, solidão. Na luz, não, caros irmãos: na luz somos irmãos, pois podemos enxergar quem está a nossa volta, somos aquecidos pela luz que ilumina e propaga o calor. Na luz, temos irmãos aos nosso lado, na luz somos também iluminados e aquecidos por aqueles que fizeram experiência da luz: "vos sois luz do mundo"!
"Dois grandes sinais caracterizam a celebração litúrgica da Vigília Pascal. Temos antes de mais nada o fogo que se torna luz. A luz do círio pascal que, na procissão através da igreja encoberta na escuridão da noite, se torna uma onda de luzes, fala-nos de Cristo como verdadeira estrela da manhã eternamente sem ocaso, fala-nos do Ressuscitado em quem a luz venceu as trevas. O segundo sinal é a água. Esta recorda, por um lado, as águas do Mar Vermelho, o afundamento e a morte, o mistério da Cruz; mas, por outro, aparece-nos como água nascente, como elemento que dá vida na aridez. Torna-se assim imagem do sacramento do Batismo, que nos faz participantes da morte e ressurreição de Jesus Cristo." (Papa Emérito Bento XVI - 23 de Abril de 2011)
Nesse texto o Papa nos fala de uma esperança sem ocaso, dos dois grandes sinais dessa celebração que são a luz do círio e a água do batismo, dois sinais de esperança para nós, dois sinais da vitória da vida sobre o pecado, dois sinais da vitória da ressurreição sobre a morte, dois sinais de esperança mesmo contra toda falta de esperança. Mesmo em meio aos grandes desafios da vida, é preciso confiar, é preciso ir adiante e olhar além daquilo que se apresenta. Olhar e esperar que o melhor está por vir. O amanhecer está chegando, as trevas já estão indo embora, o sol já está surgindo, uma nova vida, uma nova esperança nos aguarda. Sejamos, assim, portadores de Cristo, luz que ilumina e água que purifica!
Por fim quero encerrar essa meditação com o então nosso querido Papa, grande Papa Francisco que, com sua sinceridade e sensibilidade, tem conseguido ver e agir cirurgicamente em realidades tão necessárias de atenção em nossa Igreja. Vamos ouvir:
"1. No Evangelho desta noite luminosa da Vigília Pascal, encontramos em primeiro lugar as mulheres que vão ao sepulcro de Jesus levando perfumes para ungir o corpo d’Ele (cf. Lc 24, 1-3). Vão cumprir um gesto de piedade, de afeto, de amor, um gesto tradicionalmente feito a um ente querido falecido, como fazemos nós também. Elas tinham seguido Jesus, ouviram-No, sentiram-se compreendidas na sua dignidade e acompanharam-No até ao fim no Calvário e ao momento da descida do seu corpo da cruz. Podemos imaginar os sentimentos delas enquanto caminham para o túmulo: tanta tristeza, tanta pena porque Jesus as deixara; morreu, a sua história terminou. Agora se tornava à vida que levavam antes. Contudo, nas mulheres, continuava o amor, e foi o amor por Jesus que as impelira a irem ao sepulcro. Mas, chegadas lá, verificam algo totalmente inesperado, algo de novo que lhes transtorna o coração e os seus programas e subverterá a sua vida: vêem a pedra removida do sepulcro, aproximam-se e não encontram o corpo do Senhor. O caso deixa-as perplexas, hesitantes, cheias de interrogações: «Que aconteceu?», «Que sentido tem tudo isto?» (cf. Lc 24, 4). Porventura não se dá o mesmo também conosco, quando acontece qualquer coisa de verdadeiramente novo na cadência diária das coisas? Paramos, não entendemos, não sabemos como enfrentá-la. Frequentemente, mete-nos medo a novidade, incluindo a novidade que Deus nos traz, a novidade que Deus nos pede. Fazemos como os apóstolos, no Evangelho: muitas vezes preferimos manter as nossas seguranças, parar junto de um túmulo com o pensamento num defunto que, no fim de contas, vive só na memória da história, como as grandes figuras do passado. Tememos as surpresas de Deus. Queridos irmãos e irmãs, na nossa vida, temos medo das surpresas de Deus! Ele não cessa de nos surpreender! O Senhor é assim.
Irmãos e irmãs, não nos fechemos à novidade que Deus quer trazer à nossa vida! Muitas vezes sucede que nos sentimos cansados, desiludidos, tristes, sentimos o peso dos nossos pecados, pensamos que não conseguimos? Não nos fechemos em nós mesmos, não percamos a confiança, não nos demos jamais por vencidos: não há situações que Deus não possa mudar; não há pecado que não possa perdoar, se nos abrirmos a Ele." ( Papa Francisco - 30 de março de 2013)
E preciso irmãos se abrir aos novo de Deus, o Papa nos exorta a abandonar o túmulo, a para de chorar as cebolas do Egito. Olhemos para nossa paróquia. Que maravilhosa foi nossa semana santa. Que riqueza de perseverança e espiritualidade. Nós não somos o patinho feio, somos um vulcão onde o calor é o núcleo e o próprio Espírito Santo que permite, inspira e move tudo isso que foi celebrado nesses dias. É preciso irmãos, não só na semana santa, mas em todos os dias, fazermos o exercício de abandonarmos esses túmulos em que a pedra já foi removida e irmos ao encontro do ressuscitado que não está mais nesse túmulo. Não podemos mais ficar chorando, pois o Senhor ressuscitou, a morte já foi tragada, o medo já não faz mais parte de nossa vida, o futuro já foi traçado: ele será a glória do céu! Entoamos o cântico da Ressurreição e com ele exultamos,
irmãos! Com ele nos alimentamos, nós que somos povo sacerdotal. O acompanhamos em sua prisão, nos passos da paixão sofremos a Cruz e hj estamos aqui aleluiaticamente entoando um cântico novo de alegria e paz.
Irmãos, somos católicos apostólicos romanos, com muito orgulho e muita alegria, e que este orgulho e alegria não somente fique aqui dentro desta Igreja, mas se explane em cada canto dessa cidade, e que cada um, olhando para cada um de nós, se encontre com o ressuscitado, pois nós fizemos essa experiência que tanto nos marcou. Agora, nós o portamos e anunciamos em nossa vida e atitude. Peçamos a intercessão da Mãe dos viventes, da bem aventurada Virgem Maria, para que nesse Cenáculo ela clame por nós e aconteça aqui um novo Pentecostes, que ilumine o que ainda insiste em estar opaco em nossa vida! Amém.

