segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Benção Pai, benção mãe...

A bênção vinda dos pais é a própria graça de Deus sobre seus filhos.
Por Adailton Batista
Filho: Benção pai, dorme com Deus!
Pai: Deus te abençoe meu filho. Dorme com Deus também.
Filho: Amém. Benção mãe, dorme com Deus…Amém. Boa noite pra todos.
Estas são até hoje, as últimas palavras que se falam em minha  CASA antes de dormir.
Pedir a bênção aos pais antes de dormir, ou antes de fazer uma viagem, sempre foi um COSTUME em minha família. Um valor preciso que meus pais e avós herdaram de seus antepassados. Para muita gente estas atitudes podem parecer ultrapassadas, mas para aqueles que tem fé, e um olhar espiritual sobre a realidade, pedir a bênção aos pais e as pessoas idosas, é muito MAIS valioso do que pedir um presente – por exemplo – “algo material”

A bênção vinda dos pais é a própria graça de Deus sobre seus filhos.

Abençoar os filhos é tão importante, quanto a educação que os pais passam no ensino dos bons COSTUMES.
DOCUMENTO da Igreja Católica sobre a família, a Exortação Apostólica Familiaris Consortio, João Paulo II, diz que os pais são chamados a mostrar aos filhos, por meio do testemunho de suas próprias VIDAS, o amor de Deus.
“Tornando-se pais, os esposos recebem de Deus o dom de uma nova responsabilidade. O seu amor paternal é chamado a tornar-se para os filhos o sinal visível do próprio amor de Deus, «do qual deriva toda a paternidade no céu e na terra»(36).”
Você que é filho, tem o costume de pedir a bênção para os seus pais?
Pai e Mãe, alguma vez vocês tiveram a iniciativa de abençoar os seus filhos antes de dormir ou antes de enviá-los à escola? Se a RESPOSTA for não, fica aqui o meu convite para que você o faça.
Sem dúvida, os filhos que aprenderem a pedir a bênção aos pais desde cedo, saberão fazer escolhas assertivas no futuro.
O missionário e auxiliar técnico de telefonia, Adenilson Lemos de Oliveira, enfatiza que a bênção que ele dá aos seus quatro filhos, não é a bênção dele, mas é a própria graça de Deus sobre seus filhos. “Eu acredito muito naquilo que estou fazendo. Quando peço que Deus os abençoe, acredito piamente que Deus está abençoando”. Lemos é casado e acompanhado de sua esposa faz questão de ensinar aos filhos o pedido da bênção.
Com o PEDIDO: “Deus te abençoe, meu filho” de um pai e mãe para um filho(a), vai também o desejo que o ele(a) cresça sendo uma pessoa de caráter, um homem e uma mulher de identidade definida, cheia de valores.
É um dever e direito dos pais incutir na VIDA dos seus filhos os valores e a verdade sobre a vocação humana.“A família deve formar os filhos para a VIDA, de modo que cada um realize plenamente o seu dever segundo a vocação recebida de Deus”, afirma a exortação no número 14.
O fundador da comunidade Canção Nova, Monsenhor Jonas Abib, ensina pedagogicamente em suas pregações e livros, que as pessoas sempre aprendem algo, fazendo-o, realizando-o. Padre Jonas afirma que se perdoa, perdoando, APRENDE a cantar, cantando e a amar, amando. Portanto, os filhos desde de criança aprenderão a pedir a bênção aos seus pais se os próprios pais tomarem a iniciativa de dar a bênção aos seus filhos, e assim sucessivamente.
Não deixemos de cultivar este e outros valores, de nossas famílias. Falar da importância da família à sociedade de hoje é reconhecer que a convivência pacífica e harmoniosa entre nações, povos e indivíduos – marcados pelo individualismo e pela guerra – exige valorizar e investir na família.
Adailton Batista,
Missionário da Comunidade Canção Nova.

O que é a solenidade de Cristo Rei?

Reis e rainhas não servem de modelo para a representação gloriosa de Jesus
A solenidade deste último domingo do ano litúrgico da Igreja nos coloca frente à realeza de Jesus. Criada em 1925, pelo Papa Pio XI, esta festa litúrgica pode parecer pretensiosa e triunfalista. Afinal, de que realeza se trata?


Para superar a ambiguidade que permanece, precisamos ir além da visão do Apocalipse, cujo hino na segunda leitura canta que JESUS é o soberano de todos os reis da terra”. Ora, reis e rainhas não servem de modelo para a representação gloriosa de JESUS. Mesmo que seja para colocá-Lo acima de todos os soberanos. Riquezas, palácios, criadagem e exércitos não são elementos que sirvam para exaltar a entrega de Jesus por nós. Jesus está na outra margem, Ele é a antítese da realeza da riqueza e do poder. Não é por acaso que os evangelhos da liturgia de hoje, nos ciclos litúrgicos A, B, e C da Igreja, sempre nos colocam no contexto da Paixão de Jesus para contemplar Sua realeza.
JESUS foi Rei, durante sua VIDA, em apenas dois momentos: ao entrar em Jerusalém como um Rei pobre, montado em um jumento emprestado e ao ser humilhado na Paixão, revestido com manto de púrpura-gozação e capacete de espinhos; Rei ao morrer despido e com o peito traspassado na cruz. Rei da paz e Rei do amor sem limite até a morte. A realeza de Jesus é a realeza do Amor Ágape de Deus por toda a humanidade e por toda a criação.
Esta festa é ocasião propícia para podermos reconhecer, MAIS uma vez, que na cruz de Jesus o poder-dominação, o poder opressor, criador de desigualdades e exclusões, espalhador de sofrimento por todos os lados, está definitivamente derrotado. Isso se deu pelo seu modo de viver para Deus e para os outros. O fracasso na cruz é a vitória de Jesus sobre o mal, o pecado e a morte, por meio de Sua Ressurreição.
Essa festa se torna então reveladora de um tríplice fundamento para a nossa esperança de que as promessas de Deus serão cumpridas até o fim.
O surgimento da matéria e sua evolução, desde o big-bang ─ quando toda a energia do Universo se concentrava em um único ponto menor do que o átomo ─ são o primeiro fundamento de nossa esperança.
Deus é criador respeitando as leis daquilo que criou. Nós nos damos conta de que a soberania d’Ele vem se cumprindo num Universo em expansão, uma vez que a evolução da matéria atingiu seu ponto ômega ao dar à luz Jesus de Nazaré, por meio de Maria, porque n’Ele está a Humanidade humanizada para todos os homens e mulheres, de todas as gerações.
O segundo fundamento é a pessoa de Jesus de Nazaré. O sonho de uma humanidade humanizada ─ tornada aquilo que ela é ─ vem expresso na primeira leitura do livro de Daniel, na figura de um Filho de Homem ─ figura antitética dos filhos de besta, filhos da truculência, dos povos pagãos que oprimiram ISRAEL com seus exércitos. O sonho tornou-se realidade em Jesus Cristo. Ele nos humaniza com a Sua divindade: nunca Deus esteve tão perto de nós, sendo um de nós e sem privilégios; mas também sem CRIMES nem pecados (cf. epístola aos Hebreus). Jesus nos diviniza com a sua humanidade, tão humano que é, que só pode vir de Deus e ser d’Ele mesmo.
O terceiro fundamento de nossa esperança é a comunidade eclesial de fé, dos AMIGOS e discípulos de JESUS. Olhando essa grandeza, entendemos o sentido último de nosso batismo, pois na realeza de Jesus fomos batizados para sermos reis e rainhas; no sacerdócio de Jesus, para sermos sacerdotes e sacerdotisas; no profetismo de Jesus, para sermos profetas e profetisas, para viver segundo o imperativo da Palavra de Deus revelada em Seu Filho.
A soberania dessa realeza consiste no serviço da cultura da paz e da solidariedade, da compaixão e da fraternidade. O poder que corresponde a essa realeza é o do exercício da autoridade que serve, para fazer o milagre da diversidade tornar-se unidade.
No sacerdócio de Jesus nos unimos à Sua missão de gastar a VIDA pelos demais. Sabemos por Ele qual o modo de existir que nos conduz à vida verdadeira; qual a religião que agrada a Deus. A esperança posta no sacerdócio de Jesus é também certeza de que a vida gasta por compaixão e solidariedade é a vida feliz e bem vivida.
Nossa esperança é profética, pois a força da Palavra inaugura o futuro. “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia…”, cantava Chico Buarque nos anos da ditadura. Era a palavra do poeta vencendo a força bruta. Vivendo o tempo presente no coração da comunidade de fé, que é a Igreja, sentimos que uma força maior se move em nós, nos comove para abrir-nos em direção ao futuro, pois nossa esperança não se funda somente em Deus, sentido radical do futuro ou, COMO diz o provérbio, que “o futuro a Deus pertence”. Mas é o Senhor mesmo a quem esperamos e quem nos espera no futuro. Isso que é ter esperança: esperar Deus mesmo!
A festa de hoje nos faz contemplar a existência do universo, necessária para que surgisse o grande presente de Deus oferecido a toda a criação, que é Jesus. Desta forma, nossa esperança se sustenta também nos cantos dos bem-te-vis e sabiás; nas rosas e margaridas; nas crianças e nas borboletas; nos homens e mulheres de boa vontade; nas pedras e nos vulcões; nas nuvens, na lua e nos planetas; nas estrelas e nas galáxias. Se EXISTE tudo isso e não o nada, nossa esperança tem pé, cabeça e coração.
Assim, como São Paulo, vivemos na esperança, mas sabendo de seu tríplice fundamento: aquele da evolução do universo, que culminou em Jesus, pelo dom de Maria; aquele que é Jesus, que por nós se doou na cruz, abrindo para nós um modo de viver para Deus e para os outros, que é verdadeira salvação; e aquele que é a Igreja, a nossa comunidade de fé, que nos lança e sustenta na abertura radical ao futuro, esperando Deus que vem e que nos acolhe com amor infinito, por meio do seguimento de Seu Filho, por quem recebemos a vida e a plenitude da graça de Deus.

padre Anderson Marçal

ANDERSON Marçal Moreira é padre da Igreja Católica Apostólica Romana. Natural da cidade de São Paulo (SP), padre Anderson é membro da comunidade Canção Nova desde o ano 2000. No dia 16 de dezembro de 2007, foi ordenado sacerdote. Estudou Teologia Pastoral Bíblica-Litúrgica na Universidade Salesiana de Roma.

É preciso ter fé em todos os momentos

A Palavra meditada hoje está em São Mateus 14,22-32:





Nas últimas horas da noite, Jesus, andando sobre o mar, veio ao encontro dos discípulos; e eles tiveram medo. Na hora do medo, Pedro rezou: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. E o discípulo foi ao encontro de Jesus, mas com os ventos que começam a soprar com força, o medo o fez afundar.

Pedro, em meio às tempestades, rezou com coragem a Cristo: “Salva-me!”. Pedro começou a afundar, porque faltou fé para continuar a caminhar. Mas o apóstolo nos deixa uma lição valiosa: mesmo em meio às tribulações, clamemos a Cristo e gritemos “Senhor, salva-me”.

Se não rezarmos, não conseguiremos ver Deus em nossas dificuldades. Quem treina ouvir Cristo na oração, O escuta. E Ele nos fala que, mesmo em meio às tribulações, é preciso caminhar. Quando colocamos o Senhor no meio das nossas dificuldades e tribulações, nada pode nos impedir de caminhar.

Quando um barco passa por uma tempestade, a única segurança para a tripulação é ficar dentro da embarcação. Pedro arriscou ao sair do barco e ir ao encontro de Cristo. Ele fez algo que era impossível se não fosse uma ordem do Senhor. Muitos de nós não paramos MAIS para ouvir Deus e, com isso, nos sentimos perdidos.

Sempre teremos em nossa VIDA um vento que soprará no sentido contrário. Quando pararmos de ouvir o Senhor, passaremos a nos orientar por aquilo que nos atormenta. Não ouvir a voz do Espírito Santo em nosso coração é dar ouvidos ao mal. Começamos a afundar quando deixamos de ouvir a voz do Pai para ouvir a voz do mundo.

Quando ouvimos as mentalidades deste mundo, desanimamos. Não fiquemos em frente a um televisor, assistindo a PROGRAMAS que apenas entristecem o coração e nos fazem desacreditar no ser humano.

Se não colocarmos nossa confiança em Deus, afundaremos nas coisas ruins que acontecem em nossa vida. Não podemos viver uma vida sem amor. Para viver o amor verdadeiro, precisamos colocar tudo o que é importante para nós diante de Deus.

Confiamos em Jesus em meio às dificuldades? É fácil confiar n'Ele quando tudo está indo bem? Devemos nos preparar para as dificuldades. Se não nos apegarmos em Deus e Ele não fizer PARTE de nossos relacionamentos, até mesmo na dificuldade, vamos perder a fé e afundar.

Pedro nos ensina que, quando a nossa fé esmorecer, clamemos a Deus, peçamos que Ele nos socorra. Confiando em Jesus nas pequenas coisas da vida, treinaremos nosso coração para as GRANDES tempestades que virão. Confiemos no Senhor!
Márcio Mendes
Missionário da Comunidade Canção Nova

domingo, 23 de novembro de 2014

Na Festa de Cristo Rei, Papa canoniza seis novos santos

Francisco convidou os católicos a imitarem o exemplo dos novos santos a fim de superarem os interesses “terrenos”
Da redação, com Agência Ecclesia
Neste DOMINGO, 23, Festa de Cristo Rei do Universo, o Papa Francisco presidiu no Vaticano a canonização de seis novos santos da Igreja e os apresentou como exemplos de amor a Deus e ao próximo que devem inspirar os católicos a superar os interesses “terrenos”.
“Que os novos santos, com o seu exemplo e a sua intercessão, façam crescer em nós a alegria de caminhar na estrada do Evangelho, a decisão de o assumir como bússola da nossa vida. Sigamos os seus passos, imitemos a sua fé e a sua caridade, para que a nossa esperança se REVISTA de imortalidade: não nos deixemos distrair por outros interesses terrenos e passageiros”, afirmou o Santo Padre na homilia.



Entre os novos santos estão dois religiosos indianos, o padre Ciríaco Elias Chavara (1805-1871), fundador da Congregação dos Carmelitas da Beata Virgem MARIA Imaculada, e a irmã Eufrásia do Sagrado Coração (Rosa Eluvathingal, 1877-1952).
Os outros santos são quatro religiosos italianos: Giovanni ANTONIO Farina, bispo de Vicenza e fundador das Irmãs Mestras de SANTA Doroteia Filhas do Sagrado Coração (1803-1888);Nicola da Longobardi (1650-1709), oblato professo da Ordem dos Mínimos; Ludovico de Casoria (1814-1885), sacerdote franciscano que fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas Elisabetinas, instituição dedicada sobretudo à oração e à assistência aos doentes e idosos; Amato Ronconi, da Ordem Terceira de São Francisco, fundador do HOSPITAL dos Pobres Peregrinos em Saludecio, agora ‘Casa de Repouso Obra Pia Beato Amato Ronconi’, que viveu no século XIII.
“Hoje, a Igreja coloca diante de nós como modelos os novos santos que, através das obras de uma generosa dedicação a Deus e aos irmãos, serviram, cada um no seu âmbito, o Reino de Deus”, declarou o Papa, elogiando a “extraordinária criatividade” destes religiosos para RESPONDER “ao mandamento do amor a Deus e ao próximo”.

Na sua homilia, Francisco pediu que os que são chamados a assumir responsabilidades nas comunidades católicas sejam “PASTORES”, à imagem de Jesus, e não “mercenários”.
Segundo o PAPA, a “regra de vida” apresentada por Cristo exige “a proximidade e a ternura”, a “imitação” das suas obras de misericórdia.
“No entardecer da vida seremos julgados pelo amor, pela proximidade e a ternura para com os irmãos. Disto vai depender a nossa ENTRADA ou não no Reino de Deus, a nossa colocação de um lado ou do outro”, observou.
No final da Missa, o PAPA recitou o Angelus, pedindo que através dos dois novos santos indianos, um modelo de “concórdia e de reconciliação”, “o Senhor conceda um novo impulso missionário” a esta Igreja “muito corajosa”, no caminho da “solidariedade e da convivência fraterna”.
Francisco saudou ainda as delegações vindas da Itália, recordando a importância do “espírito de colaboração e de concórdia pelo bem comum”, confiando na presença de Deus que “nunca abandona, mesmo nos momentos MAIS difíceis”.